terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Begin to Hope


Amar alguém é curtir o correr dos dias ao lado, tirando, a cada oportunidade, o peso devastador das expectativas, porque é da leveza que nasce a harmonia.
É sentir (e não saber—o que faz toda a diferença) que ele precisará da minha ajuda tanto quanto eu de um ombro para descansar; que o fim não mede a beleza de uma relação, assim como a morte não anula quem fomos; que nada, nem ninguém, arrancará de mim as sensações que me fazem ser quem sou (e que precisarei, sozinho, não destruí-las, mas lidar com elas).

Entender que a obrigação de me salvar é absolutamente minha.

Hoje sei exatamente o que me faz amar alguém: o amor existir.

Quando é necessário justificá-lo, procurá-lo, racionalizá-lo, é sinal de que ele não está ali.

Ou talvez esteja, adormecido, racionalizado, com o intuito de auto-proteção.
Não se entregar demais, e acabar traindo o azul que ama com o castanho que conhecemos superficialmente, afinal o novo não nos aflige até que o conhecemos mais adiante.
É fácil, prático, fulgás.

Amor não se define, amor se vive, amor se dá, amor se divide...

O novo está em tudo sempre que observamos.

Amar alguém é ter a liberdade de ser.

Só ou não.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Alguns


ALGUNS DANÇAM

Escapei então dos tristes limites da terra
E dancei pelos céus em alegres asas de prata
Em direção ao sol!
Experimentei o júbilo de nuvens cortadas pelo sol
E fiz mil coisas das quais nunca sonhei...
Rodopiar, planar e oscilar...
E com silente expectativa caminhei
Na santidade inviolável do espaço
E estendendo minha mão
Toco na face de Deus

ALGUNS BEBEM

Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos...
A lua
Tal qual a dona do bordel
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel

ALGUNS LÊEM SHAKESPEARE

Quando me tratas mau e, desprezado,
Sinto que o meu valor vês com desdém,
Lutando contra mim, fico a teu lado
E, inda perjuro, provo que és um bem.
Conhecendo melhor meus próprios erros,
A te apoiar te ponho a par da história
De ocultas faltas, onde estou enfermo;
Então, ao me perder, tens toda a glória.
Mas lucro também tiro desse ofício:
Curvando sobre ti amor tamanho,
Mal que me faço me traz benefício,
Pois o que ganhas duas vezes ganho.
Assim é o meu amor e a ti o reporto:
Por ti todas as culpas eu suporto.

ALGUNS SÃO MÃES

1 Mulher, ou fêmea de animal que teve um ou mais filhos. 2 Dir Ascendente feminino em primeiro grau. 3 Causa ou origem de alguma coisa. 4 Lugar onde uma coisa teve origem. 5 Pessoa que protege muito a outra.

ALGUNS SÃO DIFERENTES...

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Vida ao Contrário



A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente.

Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso.

Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo.
Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar.
Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade.

Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando.
E termina tudo com um ótimo orgasmo!
Não seria perfeito?

Poderia ser mais extenso e amplo,e descrever em termos técnicos sobre O Curioso Caso de Benjamin Button com Brad Pitt e Cate Blanchett, uma adaptação da obra de F. Scott Fitzgerald, mas Chaplin já sintetiza com primor a tão bela história em pouquíssimas linhas

Estréia em 16 de janeiro nos cinemas brasileiros pela distribuidora Warner Bros Entertainment Inc.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Significado



Amora.mor
sm (lat amore) 1 Sentimento que impele as pessoas para o que se lhes afigura belo, digno ou grandioso. 2 Grande afeição de uma a outra pessoa . 3 Afeição, grande amizade, ligação espiritual. 4 Objeto dessa afeição. 5 Benevolência, carinho, simpatia. Desejo sexual.

paixão
pai.xão1
sf (lat passione) 1 Sentimento forte, como o amor, o ódio etc. 2 Movimento impetuoso da alma para o bem ou para o mal. 3 Mais comumente paixão designa amor, atração de sexo. 4 Gosto muito vivo, acentuada predileção por alguma coisa. 5 A coisa, o objeto dessa predileção. 6 Parcialidade, prevenção pró ou contra alguma coisa. 7 Desgosto, mágoa, sofrimento prolongado. 8 Os tormentos padecidos por Cristo ou pelos mártires.

apego
a.pe.go
(ê) sm (de apegar) 1 Afeição, afeto, inclinação. 2 Afinco, constância, tenacidade.

desapego
de.sa.pe.go
1 Desafeição, desamor, indiferença. 2 Desinteresse. 3 Desprendimento; tanto faz.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Onde?



...Benditas coisas que eu não sei, lugares onde não fui, gostos que não provei, espaços que ainda procuro...
Perdido em si só, em busca de lugares, gostos, espaços...
Tenho vontade de seguir e sumir (?)
Seguir e sumir...

Assim como se planeja ir e vir constantemente.

O novo sempre foi algo indescritivelmente atraente quando pensamos em “scape”.
E definitivamente complicado definir, se, é a fuga de si só, ou a busca realmente de novos horizontes.
Quando cortamos nossas “raízes” perdemos junto a seiva da vida.
Só se consegue saber pra onde ir, se souber de onde veio, sem rupturas.
Pode ser através de meditação, auto-análise forçada, uma corrida de bicicletas no Camboja, ou um passeio pelas ruas de Pirapora.

Não importa.

Muitos passam a observar, outros a auto-observar.

Mas eu digo que, quando algo não está legal, e você começar a surtar, use a técnica que grandes admiradores de arte fazem:
Recue diante da tela, e mude de ângulo em relação a ela, observe as cores, os traços e os detalhes, que na correria , sempre passam despercebidos, não visto.
Então notará que a tela é muito mais do que aquele ponto preto que ficava insistente diante do seus olhos.

Ser feliz, no final das contas, não é questão de sorte ou azar.

É questão de perspectiva...

Picture: O Homem Árvore - As folhas caíram, mas as raízes ainda são fortes para sustentar seu peso

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Espectadores


Sábio Renato Russo quando disse: “Digam o que disserem , o mal do século é a solidão”.
Notem os sinais batendo a nossa cara todos os dias.
As baladas recheadas de pessoas lindas, com roupas da moda, chegando sozinhas. E saindo sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros, profissionais liberais bem sucedidos, gente que estudou, trabalhou e alcançou o sucesso profissional... e sozinhos.
E não é só sexo não, se fosse, era resolvido facilmente, por diversos meios que a “tecnologia” nos oferece, praticamente um açougue, você tem dúvida?
Estamos é com carência de passear de mãos dadas, receber e retribuir carinho, fazer um jantar pra quem se gosta e apenas dormir abraçados, sabe essas coisas simples que perdemos nessa marcha de “evolução cega”.
Pode se fazer tudo, desde que a não se interrompa a carreira, a produção.
Nos tornamos máquinas e agora estamos desesperados por não saber voltar a SENTIR... algo tão simples que a cada dia que passa fica tão distante de nós.
Quem duvida do que digo é só dar uma entrada no site de relacionamento e suas comunidades “Quero um amor pra vida inteira”... “Eu sou pra casar” e até as desperançosas e cômodas “Nasci pra viver sozinho”.
Unindo a cada dia milhões de rostos e corpos estranhos, plásticos, quase inacessíveis.
Vivemos agora mais tempo e retardando o envelhecimento, agora mais belos e mais...sozinhos.

Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, cafona, brega.

O mais “moderno”, hoje, é programar uma viagem ao Tibet, catar coquinhos marroquinos na Ilha de Lesbos, passear pelas ruas de uma cidade desconhecida, claro que sozinhos, sempre...

Somos adultos e auto-suficientes (?).

Mas quem disse que ser adulto é ser ranzinza?
Um ditado tibetano diz que, se um problema é muito grande ...não pense nele.
Se é pequeno demais, pra que pensá-lo?
Dá pra ser um homem de negócios e tomar um sorvete com o dedo ou uma advogada de sucesso que ri de si mesma por ser estabanada.
Agora realmente o que não dá, é continuarmos achando que viver é OUT, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo, ou que eu não possa dizer a alguém: “Vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, vou me arrepender pro resto de minha vida”.

Ou escolher, ser um eterno voyer espectador da vida alheia, amores alheios, expectativas alheias... assistindo, mas não observando, que nossa vida está passando a brancas nuvens todos os dias.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Confiança Comoda


A maior parte da nossa confiança é inevitavelmente constituída de preguiça, egoísmo e vaidade.
Sim, são esses três critérios que, se analisados claramente nos faz abrir janelas incríveis, para o que de fato ocorre ao nosso redor.

Preguiça quando, para não investigar, vigiar e agir preferimos confiar no outro, apenas confiar, pois é mais cômodo, fácil, porém de forma alguma clara.
Não é todo dia que temos fôlego para questionar o que fizemos de nossa vida até aqui e qual o rumo que realmente queremos dar a ela. Cansa. Exaure.

Egoísmo quando a necessidade de falar dos nossos negócios nos leva a confidenciar-lhes algo, tornando o outro refém de nossos próprios interesses.

Vaidade quando uma coisa nos torna orgulhosos. No entanto, exigimos que se honre a nossa confiança.

Por outro lado, nunca deveríamos irritar-nos com a desconfiança, pois nela reside um elogio a integridade, ou seja, é a admissão sincera da sua extrema raridade que faz com que entre no rol das coisas de cuja existência duvidamos.
Sem desconfiança não pensamos em probabilidades de uma forma lógica e natural.
Simples assim.

Picture by Thomas Herbrich