terça-feira, 30 de setembro de 2008

Espectadores


Sábio Renato Russo quando disse: “Digam o que disserem , o mal do século é a solidão”.
Notem os sinais batendo a nossa cara todos os dias.
As baladas recheadas de pessoas lindas, com roupas da moda, chegando sozinhas. E saindo sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros, profissionais liberais bem sucedidos, gente que estudou, trabalhou e alcançou o sucesso profissional... e sozinhos.
E não é só sexo não, se fosse, era resolvido facilmente, por diversos meios que a “tecnologia” nos oferece, praticamente um açougue, você tem dúvida?
Estamos é com carência de passear de mãos dadas, receber e retribuir carinho, fazer um jantar pra quem se gosta e apenas dormir abraçados, sabe essas coisas simples que perdemos nessa marcha de “evolução cega”.
Pode se fazer tudo, desde que a não se interrompa a carreira, a produção.
Nos tornamos máquinas e agora estamos desesperados por não saber voltar a SENTIR... algo tão simples que a cada dia que passa fica tão distante de nós.
Quem duvida do que digo é só dar uma entrada no site de relacionamento e suas comunidades “Quero um amor pra vida inteira”... “Eu sou pra casar” e até as desperançosas e cômodas “Nasci pra viver sozinho”.
Unindo a cada dia milhões de rostos e corpos estranhos, plásticos, quase inacessíveis.
Vivemos agora mais tempo e retardando o envelhecimento, agora mais belos e mais...sozinhos.

Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, cafona, brega.

O mais “moderno”, hoje, é programar uma viagem ao Tibet, catar coquinhos marroquinos na Ilha de Lesbos, passear pelas ruas de uma cidade desconhecida, claro que sozinhos, sempre...

Somos adultos e auto-suficientes (?).

Mas quem disse que ser adulto é ser ranzinza?
Um ditado tibetano diz que, se um problema é muito grande ...não pense nele.
Se é pequeno demais, pra que pensá-lo?
Dá pra ser um homem de negócios e tomar um sorvete com o dedo ou uma advogada de sucesso que ri de si mesma por ser estabanada.
Agora realmente o que não dá, é continuarmos achando que viver é OUT, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo, ou que eu não possa dizer a alguém: “Vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, vou me arrepender pro resto de minha vida”.

Ou escolher, ser um eterno voyer espectador da vida alheia, amores alheios, expectativas alheias... assistindo, mas não observando, que nossa vida está passando a brancas nuvens todos os dias.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Confiança Comoda


A maior parte da nossa confiança é inevitavelmente constituída de preguiça, egoísmo e vaidade.
Sim, são esses três critérios que, se analisados claramente nos faz abrir janelas incríveis, para o que de fato ocorre ao nosso redor.

Preguiça quando, para não investigar, vigiar e agir preferimos confiar no outro, apenas confiar, pois é mais cômodo, fácil, porém de forma alguma clara.
Não é todo dia que temos fôlego para questionar o que fizemos de nossa vida até aqui e qual o rumo que realmente queremos dar a ela. Cansa. Exaure.

Egoísmo quando a necessidade de falar dos nossos negócios nos leva a confidenciar-lhes algo, tornando o outro refém de nossos próprios interesses.

Vaidade quando uma coisa nos torna orgulhosos. No entanto, exigimos que se honre a nossa confiança.

Por outro lado, nunca deveríamos irritar-nos com a desconfiança, pois nela reside um elogio a integridade, ou seja, é a admissão sincera da sua extrema raridade que faz com que entre no rol das coisas de cuja existência duvidamos.
Sem desconfiança não pensamos em probabilidades de uma forma lógica e natural.
Simples assim.

Picture by Thomas Herbrich

domingo, 14 de setembro de 2008



I WANT TO BE ITS FANCY!!!

THE SYSTEM OF THE FASHION DOES NOT STOP! OK?

Beijo aos queridos profisisonais que trabalham com conhecimento e inquietude nesse nosso dia a dia tão...huumm... digamos... "efêmero" (alô alô Guilles Lipovetsky).

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Eu to Tentando



Eu tô tentando largar o cigarro
Eu tô tentando remar meu barco
Eu tô tentando armar um barraco
Eu tô tentando
Não cair no buraco...

Eu tô tentando tirar o atraso
Eu tô tentando te dar um abraço
Eu tô penando
Prá driblar o fracasso
Eu tô brigando
Prá enfrentar o cagaço...

Eu tô tentando ficar com Deus
Eu tô tentando
Que Ele fique comigo...

Eu tô fincando meus pés no chão
Eu tô tentando ganhar um milhão
Eu tô tentando ter mais culhão
Eu tô treinando prá ser campeão...

Eu tô tentando fazer meu filme

Eu tô tentando
Ser feliz (Ser Feliz!)
Eu tô tentando
Te fazer feliz...
PS: Um beijo a menina Toller e a todos que estão Tentando, de alguma forma

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Tudo Mudou


E tudo mudou...

O rouge virou blush
O pó-de-arroz virou pó-compacto
O brilho virou gloss

O rímel virou máscara incolor
A Lycra virou stretch
Anabela virou plataforma
O corpete virou porta-seios
Que virou sutiã
Que virou lib
Que virou silicone

A crise de nervos virou estresse
A chita virou viscose.

Os halteres viraram bomba
A ergométrica virou spinning
A tanga virou fio dental
E o fio dental virou anti-séptico bucal

Ninguém mais vê...

A tristeza, depressão
A paquera virou pegação

O que era praça virou shopping
A caneta virou teclado

O álbum de fotos agora é mostrado por email
O namoro agora é virtual
A cantada virou torpedo
A AIDS virou gripe
A maconha é calmante
O professor é agora o facilitador
As lições já não importam mais
A guerra superou a paz
E a sociedade ficou incapaz...

... De tudo.

Inclusive de notar essas diferenças...

quarta-feira, 16 de julho de 2008

TIC TAC TIC TAC

A maior parte das coisas que dizemos e fazemos é inútil.
Como o trabalho das formigas que descem e sobem o tronco da árvore sem nenhum propósito.
Penso que isso acontece com quase todo mundo: uma dificuldade poderosa de ficarsem fazer nada. Simplesmente contemplar as coisas. Refletir sobre nós mesmos.
Não nos permitimos o ócio.
Pegar uma sessão das 2 no meio da semana. Tomar um sorvete no parque no meio da tarde, sob a sinfonia dos pássaros e das folhas tocadas pela brisa.
Ou simplesmente fechar os olhos e pensar.
Estamos sempre fugindo de nós mesmos. .
Parecer ocupado é considerado importante, mais do que estar mesmo ocupado. Na vida corporativa, isso chega a extremos de comédia.
Li numa revista que uma empresa de recolocação de executivos desempregados arruma para eles escritório e secretária para que finjam trabalhar. (E fujam de si mesmos, ocorre-me.)
Seu tempo é livre? Pois então você se sente compelido interiormente a ocupá-lo. Você pega o celular e telefona à primeira pessoa que lhe venha à mente, mesmo que não tenha o que dizer. Ou então se instala em frente do computador e entra e sai.
Você sobe a escada. Depois desce. Todos nós fazemos isso. Subimos escadas e descemos como as formigas . Sem propósito. Apenas porque não conseguimos ficar sozinhos com nós próprios.
Registro aqui o elogio do ócio, numa época de tantos movimentos por nada, de tanta agitação sem nexo.
E penso, comovido, numa canção de John Lennon. Ouço-a mentalmente. Watching the Wheels. Olhando para as rodas. Ele dizia que as pessoas estranhavam vê-lo sentado, de olho nas rodas dos carros que passavam e passavam. “Apenas gosto de vê-las girar”, disse John. John Lennon nesse momento foi tão sábio quanto aos que se insurgem contra a fuga automática e neurótica de si mesmos.

E você o que "precisa" fazer agora?

Ps: Abração ao grande jornalista Fábio Hernandez, O Homem Sincero

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Da felicidade cotidiana



Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um não. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...